Como comecei a escrever artigos científicos


Nas ultimas semanas, tenho pensado novos caminhos na psicologia e foi inevitável pensar como foi o inicio dessa jornada. Desde a escola achava muito legal ser cientista e me imaginava em laboratórios trabalhando, mas o período que passei na faculdade de biologia não atendeu à expectativa que criei sobre a pesquisa.


Lá em 2012, quando estava no terceiro período de Psicologia, fiquei sabendo que dava pra fazer pesquisa nas ciências humanas. Eu estava em um estágio curricular em que eu precisava inventar um projeto de pesquisa. E lá estava eu, em casa, na companhia do meu cachorro, tentando fazer uma lista de coisas pesquisáveis. O que eu saberia sobre pesquisa em Psicologia ainda no segundo ano do curso?


Meu cachorro era daqueles labradores dóceis e lembro-me dele ficar me encarando enquanto eu estava agitada, com prazos estourando para apresentar um tema viável para a manhã seguinte. Fiz um carinho na cabeça dele e me perguntei por que esses bichinhos nos fazem tão bem. Foi quando comecei a pesquisar sobre isso e descobri maravilhosamente no Google que existe a Terapia Assistida por Animais. Essa terapia funciona basicamente com um co-terapeuta animal, e os mais comuns são cachorros e cavalos, por terem temperamentos dóceis. É muito eficaz para autistas, portadores de deficiências físicas, de sofrimento mental, idosos e outros, porque o animal é uma fonte de relacionamentos, ele doa sem pedir nada em troca e a relação com ele acaba por ser mais simples do que numa relação entre humanos.


Terapia Assistida por Animais em um lar de idosos em BH

Na manhã seguinte estava lá eu falando com a professora sobre isso e descobri que tinha essa Terapia em BH. Queria estudar a Terapia Assistida por Animais no tratamento de idosos com depressão. A professora acabou me sugerindo que eu tentasse uma bolsa de pesquisa na faculdade para pesquisar a respeito. Claro que eu aceitei a ideia e já fui buscar a instituição que tinha a Terapia Assistida por Animais para participar como voluntária.


E deu certo – o voluntariado!


O projeto de pesquisa ficou completamente amador, cheio de referências não-acadêmicas. Eu não sabia compreender um edital direito e fiz tudo de forma bem da minha cabeça (risos). Eu não tive quem me orientasse direito o bê-a-bá de um projeto de pesquisa e a escrita acadêmica parece um desafio para quem está acostumado com outros tipos de texto. Enfiei objetivos na justificativa e justificativa no referencial teórico e entreguei um projeto enooorme, onde geralmente são pedidas até 10 páginas!


Claro que não ganhei a bolsa, mas participei por seis meses do projeto de Terapia Assistida por Animais em um lar de idosos de BH. Em um dos encontros até levei o meu próprio labrador para ser co-terapeuta. Mesmo no fim das contas não tendo sido um projeto acadêmico, valeu na minha vida profissional. Tudo conta como experiência e até rendeu uma entrevista na revista Panorama Pet!

Entrevista à revista Panorama Pet

Outro lado bom disso foi desmistificar a escrita acadêmica. Depois de quebrar a cabeça com esse projeto, a escrita dos trabalhos da faculdade passou a ser mais fluidas pra mim e vez ou outra ajudava os colegas. Até na pós-graduação alguns me procuravam um pouco desesperados para escrever a monografia. Então descobri uma grande aptidão e vontade de ensinar. O ensino, principalmente o superior, deve ser para todos e não uma disputa de quem sabe mais.


Hoje já tenho alguns artigos escritos e publicados e foi graças a essas “cabeçadas” que dei durante a faculdade. E sobre projetos de pesquisa, aconselho escrever sobre temas que você goste bastante, porque a gente passa muito tempo escrevendo sobre o assunto e a gente corre grande risco de enjoar no meio da pesquisa. Acontece!


Meu labrador Rocky

Nesse texto que já queria escrever sobre como comecei no universo da pesquisa em Psicologia, fica também a homenagem ao meu labrador Rocky Balboa, que recentemente deixou saudade no meu coração e uma profunda gratidão por ter me inspirado a seguir meus sonhos!




Quer dicas de como escrever um artigo científico? Nos próximos dias terei novidades! Fique ligado nas minhas redes sociais!


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Psicóloga Luisa Conrado - (31) 99272-8136 | luisaconrado@hotmail.com | Rua Alexandre Siqueira, 55, Caiçara, Belo Horizonte-MG